quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Abri os olhos e nem mesmo sabia o que estava acontecendo.
Que sonho estranho foi aquele? Eu ainda estava respirando bem mais profundamente do que precisava, e o coração estava correndo uma maratona mesmo agora, que já havia acordado e deveria ter me livrado de todo aquele medo. Continuava até mesmo suando frio enquanto lembrava daquele sonho tão estranho. Ou melhor, daquele pesadelo.
Ao que me lembrava - ainda muito nitidamente - eu corria contra o tempo, fugindo de soldados medievais sombrios por entre ruas escuras, que lembravam muito a Europa medieval se vista em conjunto com toda a arquitetura gótica das diversas construções. Chegava a parecer que aquele lugar era até mais escuro que a própria noite, que se escondia atrás de nuvens densas e pesadas. Até as roupas que eu usava tinham aquele tom gótico; Um longo vestido negro bem naquele tom medieval bem simples até, escondido assim como eu debaixo de um manto cinzento cor de chumbo - quase tão escuro quanto a pedra daquelas casas precariamente iluminadas por tochas.
Eu estava em pânico. Eles não demorariam a me alcançar no ritmo que pareciam correr, e meu fôlego também não parecia suportar nem mais um minuto daquela corrida. Estava correndo daqueles estranhos desde o amanhecer, mas mesmo assim minhas pernas se recusavam a diminuir o ritmo. Eu sabia que, o mínimo deslize seria o fim; sequer ousava olhar para trás e ver o rosto dos sinistros perseguidores. Aqueles que queriam o meu fim.
Dobrei em direção à um beco, mas na correria não percebi que mais uma tropa acabara de bloquear o caminho vindo pelo lado oposto ao que eu corria. Me deparei com a realidade em choque.
Eu havia sido emboscada.
Demorou um pouco até me imobilizarem por completo, mas logo que o fizeram dois dos sinistros carcereiros me ergueram no ar enquanto me debatia, lutando inutilmente pelo desejo de viver. Eu sabia o que eles queriam fazer, e o pior de tudo: eu sabia que, naquela situação, já não tinha como evitar.
Eles me levaram a um tipo de praça. Estava rodeada por tochas e havia uma multidão furiosa que bloqueava todos os caminhos ao redor dos carcereiros. Haviam mais deles ali, e quando aqueles que me escoltavam chegavam ao local comigo ainda tentando fugir daqueles braços absurdamente fortes perto dos meus delicados e femininos. A platéia daquele show de horrores vibrou com a minha chegada, cheios de uma expectativa doentia - aquilo revirou meu estômago enquanto meu desespero tornava-se ainda mais forte. A multidão formava um círculo em volta de uma gigantesca e horripilante fogueira, que já me fazia suar de tão intensa mesmo estando a mais de 3 metros de distância. Comecei só então a perder as forças depois de tanto esforço, mas mesmo assim meu desespero só me fazia tentar ainda mais desesperadamente me livrar daqueles braços esmagadores.
Quase em passos de procissão eles subiram as escadas de um patamar que havia a beira daquele inferno de chamas, e meus olhos apavorados não conseguiam desgrudar daquelas chamas dançando logo a minha frente. O calor era insuportável, e então ao chegarem ali eles começaram a me balançar, de acordo com os gritos de euforia daquele povo doentio e vingativo.
Por fim, eu cai. Mas acabei por acordar assim que fui engolida pelas chamas.
Terrível. Aquele sentimento e a dor cortante das chamas ainda parecia estar sobre a minha pele, mesmo eu sabendo naquele momento que havia sido apenas um sonho. Eu ainda me mantinha no escuro, respirando mais profundo do que parecia enquanto recuperava o fôlego suspiro por suspiro. Não sei porque não conseguia parar de tremer. Foi tão terrível assim? Era apenas um pesadelo.
Bem, não poderia ficar ali para sempre. Logo me levantei. Fui direto ao banheiro tateando tudo ao redor para não tropeçar no escuro, enquanto já pegava uma roupa ou outra para tomar um banho e me livrar logo de toda aquela tremedeira e sentimento de dor que ainda não queriam passar. Estava exausta. Um banho com certeza iria ajudar, mas no mesmo tempo em que pensei fiquei paralisada ao acender a luz e me prender na imagem que se refletia ao espelho do banheiro; espalhadas por todo meu corpo, as marcas horríveis daquelas queimaduras vindas do incidente que eu já não sabia mais como havia acontecido distorciam minha pele.




